O que mais me impressiona é ser, muitas vezes, mais criticada por querer ter "só" 1 filho do que aquelas mães que têm 2, 3 ou mais, mas que, na verdade, não assumem suas responsabilidades e se dizem mães... é ser chamada de egoísta por não querer te dar um irmão e aquelas mães que não abdicam de nada pelos filhos não serem... Me sentiria muito mais culpada, egoísta e individualista se não fosse capaz de trocar uma noitada com os amigos para estar com você às 6h da manhã do outro dia... se não fosse capaz de passar o dia inteiro na praia pulando ondinhas e fazendo castelos e piscininhas do que bebendo cerveja e comendo caranguejo... se não fosse capaz de diminuir a malhação para sobrar mais um pouquinho do meu tempo livre para você...
EU, Rafaely, acredito que preciso (e quero) fazer isso agora, nos seus primeiros anos de vida, quando você mais precisa de mim... graças a Deus e a ajuda de seu pai, encontrei o equilíbrio e tenho conseguido realizar com mais serenidade todos os papéis que me cabem e quase todos os interesses pessoais e desejos que tenho. Como sempre disse minha mãe: "tudo a seu tempo"... agora, na minha opinião, é tempo de ser mais mãe do que Rafaely (sem deixar de ser Rafaely, é claro... é só uma questão de prioridade)... e chegará o tempo em que voltarei a ser mais Rafaely e menos mãe (sem deixar de ser mãe, é claro... ai é uma questão biológica mesmo)...
Não quero, em hipótese alguma, ser superprotetora, estar presente 24 horas do dia em sua vida e muito menos mimá-lo... quero sim, te criar para o mundo, feliz e independente e preparado para ele! Quero fazer parte da sua vida, a parte de mãe que me cabe, nem mais e nem menos... mas confesso, se tiver que pecar, prefiro pecar por excesso, pois acredito que nesse caso o excesso traz menos consequências desastrosas que a falta.
Quero continuar passando os fins de semana sem babá, só nós 3... quero continuar compartilhando um monte de momentinhos do seu dia durante o tempo que tenho na semana, sem deixar de fazer outras coisas que gosto (namorar o papai, malhar, sair com os amigos...)... Quero saber contar a sua vida, quero conhecer o que você sente e pensa, quero ser sua amiga... quero estar presente nas suas melhores lembranças da infância. Aos poucos, enfatizo, AOS POUCOS, com o amor, a segurança e os ensinamentos que tento te passar, você vai formando sua personalidade, se estruturando emocionalmente de forma tranquila e saudável e se tornando pouco a pouco um ser independente e mais preparado para tomar as suas próprias decisões e atitudes... aos poucos, tudo acontece... o que não dá é querer lavar as mãos agora, na frágil e importante fase da infância, e simplesmente te jogar no mundo... minha missão de mãe, vou cumprí-la com a consciência tranquila que estou fazendo o meu melhor... tentando seguir o que acredito ser mais "perfeito" para nós 3 como família... POR TUDO ISSO e mais outras coisitas... seremos SEMPRE (se Deus quiser) e "SÓ" NÓS 3!
Bom, segue o texto polêmico!
Vamos ser francos: quem realmente tem capacidade para se dedicar a uma criança como deveria. Faça a análise antes de ter uma
por José Martins Filho
Será que todos os seres humanos precisam ser pais? Não sei. Cuidar bem de uma criança, além de ser de sumária importância, dá um trabalho danado. Crianças choram à noite, nem sempre dormem bem, precisam de cuidados especiais, de limpeza, de banho, alimentação, ser educadas e acompanhadas até a idade adulta. E, principalmente: crianças precisam da presença dos pais, sobretudo as menores, que requerem a mãe na maior parte de seu tempo. Não é dando dois beijinhos pela manhã antes de ir para a creche, ou colocando a criança para dormir à noite, que será possível transmitir segurança, afeto e tranquilidade. Escuto muito a seguinte frase: “Doutor, o que interessa é a qualidade do tempo junto e não a quantidade”. Duvido. Diga ao seu chefe que você vai trabalhar apenas meia hora por dia, mas com muita qualidade. Certamente ele não vai gostar. Seu filho também não.
Sejamos sinceros, nem todo mundo está disposto a arcar com esse ônus. Talvez seja melhor adiar um projeto de maternidade, e mesmo abrir mão dessa possibilidade, do que ter um filho ao qual não se pode dar atenção, carinho e presença constante. Lembre-se que é preciso dedicar um tempo razoável: brincar junto, fazer os deveres de casa, educar, colocar limites.
Como fazer tudo isso e ainda continuar no mercado de trabalho? Usando seu horário de almoço para comer junto com seu filho. Fazendo visitas na creche durante o dia. Passeando no final de semana, em atividades em que a criança seja prioridade, como praia, parques, jogos em conjunto. Por favor, isso não inclui shopping center.
Sou obrigado a fazer todas essas coisas? Claro que não. Mas ser pai e ser mãe também não é uma obrigação, sobretudo nos dias de hoje em que a vida oferece infinitas possibilidades. Trata-se de uma escolha. E, como toda escolha, pressupõe que você abra mão de outras tantas. O que se propõe? A volta da mulher à condição de dona de casa? Também não. O que se propõe é a conscientização da paternidade e maternidade. A infância determina a vida de todos nós. Ela é fundamental para a existência humana. Na esfera psíquica, os primeiros dois anos significam a base da construção de uma personalidade saudável. A violência, a agressividade, a falta de ética, a amoralidade dos tempos modernos não são apenas fruto de dificuldades econômicas e sociais, mas da falta de amor, educação, limites.
Com a vida moderna, as crianças passaram a ocupar um papel secundário ou terciário na vida familiar. Lembre-se de que o futuro da humanidade vai depender dessas crianças que, provavelmente, chegarão aos 100 anos de idade. Fico triste quando, no consultório, a mãe não pode estar presente, ou o pai. E nem mesmo a avó: apenas a babá.
Deveríamos fazer uma análise tranquila antes da maternidade ou da paternidade. Queremos mesmo mudar nossa vida? Vamos ter condições de participar intensamente da vida desse novo ser? Se lograrmos essa consciência, tenho certeza de que o mundo irá melhorar.
José Martins Filho é médico pediatra, autor do livro A Criança Terceirizada, professor e pesquisador do Centro de Investigação em Pediatria

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